Fui
visitar Zé Pedro na cadeia. Sempre que posso visito ele, pra ele saber que não
tá sozinho. Hoje ele tava com o rosto todo machucado. Não dava para reconhecer
que era ele. Mal conseguia abrir os olhos. Foi tentar separar uma briga entre
os colegas e acabou levando socos e chutes. Os tiras não se mexem pra ajudar
bandido, não. Coitado do meu filho.
Não
é porque sou mãe, não. O moleque já fez muita coisa errada nessa vida, mas ele
mudou, sabe. A cadeia muda as pessoas, pro bem ou pro mal. O Zé não é uma má
pessoa, mas a vida fodeu com ele. Era só uma criança quando o pai que ele tanto
gostava morreu do seu lado, de mãos dadas com ele, levou uma bala perdida e
caiu na hora. Se o menino não fosse ainda tão pequeno podia ter levado também.
Ele correu pra se esconder atrás de um carro, e viu toda a confusão. O tio
achou ele horas depois, todo assustado.
Diz
meu filho que quase todo dia os presos de lá tão se pegando. Várias brigas
internas, sabe. Várias vezes por dia até. E mesmo quem não tá envolvido acaba
se prejudicando.
Ainda
bem que o Zé logo sai. Ele ta lá há muito tempo já, se envolveu com tráfico
pesado, muita gente morreu por causa dele. Logo que foi em cana ele ficou com
raiva, só sabia brigar, e dizia que ia acabar com todo mundo que fez isso com
ele.
Mas
ele viu que não leva a nada, sabe. O moleque tá diminuindo pena por bom
comportamento, e dia das mães do ano que vem ele volta pra casa. Vai arrumar um
emprego descente, vai ganhar dinheiro suado e vai virar moço bom, direito. Vai
me dar muito orgulho ainda.
Nenhum comentário:
Postar um comentário