sábado, 19 de dezembro de 2015

Ele vai voltar pra casa

Fui visitar Zé Pedro na cadeia. Sempre que posso visito ele, pra ele saber que não tá sozinho. Hoje ele tava com o rosto todo machucado. Não dava para reconhecer que era ele. Mal conseguia abrir os olhos. Foi tentar separar uma briga entre os colegas e acabou levando socos e chutes. Os tiras não se mexem pra ajudar bandido, não. Coitado do meu filho.
Não é porque sou mãe, não. O moleque já fez muita coisa errada nessa vida, mas ele mudou, sabe. A cadeia muda as pessoas, pro bem ou pro mal. O Zé não é uma má pessoa, mas a vida fodeu com ele. Era só uma criança quando o pai que ele tanto gostava morreu do seu lado, de mãos dadas com ele, levou uma bala perdida e caiu na hora. Se o menino não fosse ainda tão pequeno podia ter levado também. Ele correu pra se esconder atrás de um carro, e viu toda a confusão. O tio achou ele horas depois, todo assustado.
Diz meu filho que quase todo dia os presos de lá tão se pegando. Várias brigas internas, sabe. Várias vezes por dia até. E mesmo quem não tá envolvido acaba se prejudicando.
Ainda bem que o Zé logo sai. Ele ta lá há muito tempo já, se envolveu com tráfico pesado, muita gente morreu por causa dele. Logo que foi em cana ele ficou com raiva, só sabia brigar, e dizia que ia acabar com todo mundo que fez isso com ele.
Mas ele viu que não leva a nada, sabe. O moleque tá diminuindo pena por bom comportamento, e dia das mães do ano que vem ele volta pra casa. Vai arrumar um emprego descente, vai ganhar dinheiro suado e vai virar moço bom, direito. Vai me dar muito orgulho ainda. 

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